Sobre felicidade, finalmente

“Não. Meu salário continua sem conhecer o último dia do mês. Não. Meu coração continua batendo calma e solitariamente. Não. Meu abdomem continua ostentando algumas muito-mal-vindas dobrinhas.

Mas, sim. Antes de ir, meu salário me deixa alguns presentes. Sim. Meu coração bate sozinho porque assim preferiu, na falta da música perfeita pra o acompanhar. Sim. Por baixo da camisa existem três pequenas dobras, que são bem melhores que aquela única que ocupava a barriga toda.

Um sorriso nasceu aqui no canto da boca, junto ao questionamento que faço a cada abrir de olhos ao amanhecer. Aquele que agora me responde que tudo é difícil. Que algumas coisas, impossíveis. Mas que, talvez, a felicidade seja desses sentimentos que se alimentam de desiluções. Que só sabem existir em meio ao que não foi, ao que não será. Desses difíceis de se ver. Mas possíveis de sentir.”

Por João Célio

Capitão Gancho – Clarice Falcão

Solar de Botafogo, RJ 01/05/2013, 1ª sessão.
– Se não fossem os ais
E não fosse a dor
E essa mania de lembrar de tudo feito um gravador
Se não fosse Deus
Bancando o escritor
Se não fosse o mickey e as terças feiras e os ursos pandas e o andar de cima da
Primeira casa em que eu morei e dava pra chegar no morro só pela varanda se
Não fosse a fome e essas crianças e esse cachorro e o Sancho Pança se não fosse o
Koni e o Capitão Gancho
Não seria eu

Desistir

“Desistir… eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério; é que tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça.”

Cora Coralina