Sobre felicidade, finalmente

“Não. Meu salário continua sem conhecer o último dia do mês. Não. Meu coração continua batendo calma e solitariamente. Não. Meu abdomem continua ostentando algumas muito-mal-vindas dobrinhas.

Mas, sim. Antes de ir, meu salário me deixa alguns presentes. Sim. Meu coração bate sozinho porque assim preferiu, na falta da música perfeita pra o acompanhar. Sim. Por baixo da camisa existem três pequenas dobras, que são bem melhores que aquela única que ocupava a barriga toda.

Um sorriso nasceu aqui no canto da boca, junto ao questionamento que faço a cada abrir de olhos ao amanhecer. Aquele que agora me responde que tudo é difícil. Que algumas coisas, impossíveis. Mas que, talvez, a felicidade seja desses sentimentos que se alimentam de desiluções. Que só sabem existir em meio ao que não foi, ao que não será. Desses difíceis de se ver. Mas possíveis de sentir.”

Por João Célio

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